Freud. "O Papa" da psicanálise.
Isto, a propósito de dois filmes, o olhar de dois realizadores sobre uma figura histórica e uma figura de ficção: Freud e um Papa relutante: Um método perigoso de David Cronenberg e Habemus Papam de Nanni Moretti. Dois filmes com estéticas e, parece-me, intenções completamente distintas e no entanto com tantos pontos em comum: a ambivalência de conceitos como a saúde e a doença, o poder e a humildade, o curador e o que é curado, o verdadeiro amor e os interesses. O filme de Moretti sobre um hipotético Papa que teria entrado em pânico ao ser escolhido para sucessor à Cadeira de S. Pedro e a quem é psicologicamente diagnosticado um "défice de acolhimento" na mais remota infância. O tema do diagnóstico psicológico, do próprio método, mas sobretudo, no segundo, o humaníssimo terno e irónico olhar de Moretti, as personagens mostradas como são: para além da máscaras e do estatuto social, crianças com medo.
O filme de Cronenberg mostra Freud como há-se ser mostrado para a eternidade: inteligente, decisivo, arrogante, inflexível. O Papa do divã.
Diz-lhe Yung, o que erra, o que se mostra frágil e vulnerável, o que estabelece compromissos, o que se vende por um prato de lentilhas, mas também o que arrisca, o que ousa introduzir na psicanálise temas tabu da área da espiritualidade, afirma-lhe que ele, Freud, olha os amigos como se fossem doentes, para cada um tem uma neurose, e no entanto se ele pudesse ver-se...
Mais tarde dir-lhe-á também que por vezes temos de praticar atos imperdoáveis para continuarmos a viver.
No meio de ambos, uma fascinante mulher e fabulosa atriz, a que vem a tornar-se a melhor entre os médicos, porque conheceu a doença.
E a contagiante felicidade da música de Mercedes Sosa:
http://www.youtube.com/watch?v=Za75SkduQX8
A ouvir e ouvir e ouvir... e cantar e dançar e dançar e dançar!
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